
Ana Paula Febatis*
No Brasil, há diversas pessoas que não sabem quem são, não conhecem suas raízes, e não
entendem a razão de passar por certas situações, e porque acontecem com elas. E sabe
por quê? Porque não se identificam como pessoas afro-brasileiras…
Sabem que não são brancos, mas preferem se identificar como morenos ou morenas,
marrom bombom, mestiços, cafuzos… (cafuzo é antigo hein?! O povo está confuso
mesmo).
A verdade é que o Estado como instituição, contribuiu muito para essa falta de identidade
do povo afro-brasileiro. Se é pardo, pertence ao povo negro (formado por pretos e pardos),
mas por que as pessoas se definem por cores? Porque o Joseph Arthur de Gobineau
(1816-1882), é o criador da classificação entre pessoas de diferentes nações, criando
a superioridade da raça branca.
No Brasil, principalmente, após a libertação das pessoas escravizadas, a ideia fortaleceu
e se tornou o Movimento a favor da Eugenia, encabeçado por intelectuais, médicos,
cientistas, educadores e Estado, com o objetivo de “clarear” a população brasileira. Como
intitulavam: “ um genocídio sem sangue”.
Com isso, foram criadas várias estratégias de manutenção dessa ideologia: se tornou
política de estado; através da educação foi omitida a verdadeira história do povo
escravizado; sua cultura rejeitada; fizeram acreditar que não tinha inteligência e nem
capacidade; que não tinha classe; que não era humana…
Mas o objetivo desse artigo, é falar com você, cara gente preta (e parda), e te dizer que
tudo que disserem que não é possível para você, não acredite. Todas as características
humanas, são suas! A inteligência? É sua! Use-a para ampliar seu conhecimento sobre
sua história, invista em sua educação, aproveite as oportunidades, acredite em seu
potencial, e lute pelos seus sonhos individuais e coletivos. Lembre-se: “ A sua potência
individual interfere no curso da História em uma sociedade, saiba usá-la com sabedoria”
Sou
Pedagoga, Historiadora e Coordenadora de Projetos e Eventos da Casa Afro Álvaro de Oliveira – Barretos