Saúde sem Racismo 

Por Awo Yaa – Thatiane Santos da Silva*

Fui designada por Mãe Nilce Naira para representar a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde no Seminário “Saúde sem Racismo” organizado pelo Ministério da Saúde entre os dias 06 e 08 de junho. Apresento aqui, um breve registro de minha participação em nome dessa rede.

A mesa de abertura foi composta pelas autoridades do Ministério da Saúde – a Ministra Nísia Trindade, do  Ministério da Igualdade Racial – a Ministra Anielle Franco, do Ministério de Direitos Humanos – Assessora do Ministro Silvio Almeida, do Ministério dos Povos Indígenas – a Ministra Sônia Guajajara, Ministra das Mulheres – Aparecida Gonçalves e o Coordenador da Política Nacional de Saúde da População Negra e Assessor da Ministra, Prof. Dr. Luís Eduardo Batista.

Logo após, foi composta a mesa com organizações da sociedade civil, e ao final, a plateia foi dividida em Oficinas. Me encaminhei para a Oficina de “Medicinas Indígenas e Tradicionais, Práticas Culturais e o Cuidado em Saúde” onde participei apresentando o histórico da RENAFRO e minha labor enquanto médica e mulher de Asè, que incorpora práticas ancestrais de cuidado na saúde da população negra. Fui questionada por uma mulher não negra, jovem, de Recife, sobre a dificuldade de contatar a RENAFRO, e que a mesma não poderia falar por todo o povo de Asè, posto que na cidade dela não conhecia ninguém que fosse parte desse movimento. Respondi que a RENAFRO existia há mais de 20 anos, com longo histórico de lutas e que poderia verificar com nossa coordenadora nacional sobre formas de participar da nossa rede. 

No retorno ao auditório, com o grande grupo, solicitei um momento de fala para apresentar o histórico e o trabalho da RENAFRO no país, e realizei técnica de respiração com óleos essenciais que levei, distribuídos a toda a plenária, realizada em conjunto. Discursei brevemente sobre o histórico da RENAFRO, citando suas figuras icônicas no decorrer da sua existência  e sua importância na luta contra o racismo religioso e dos cuidados em saúde oferecido para a população negra mesmo antes do SUS existir. Também sobre a necessidade e compromisso que toda a sociedade precisa ter para proteger locais sagrados que estão sendo violados pelo racismo religioso por parte das religiões neopentecostais. Citei, por exemplo, a morte precoce de Mãe Bernardete como consequência e expressão máxima dessa violência que os povos de Terreiro vem vivenciando. 

Ao final, fui ovacionada e o público em geral ficou notavelmente satisfeito com as intervenções realizadas. Após, foi dada sequência à programação e foram lidos os resumos das proposições dos grupos compostos pelas Oficinas simultâneas. 

Na manhã do dia seguinte, foi realizada a palestra da OPAS/OMS sobre a Estratégia e Plano de Ação sobre Etnia e  Saúde 2019-2025.  Posteriormente, foi formada uma  mesa composta  por organizações da sociedade civil, para a qual a RENAFRO foi chamada. Nessa mesa, nossa participação foi dada principalmente reforçando a função dos Terreiros como espaços de promoção de saúde física, mental, psicológica, emocional e espiritual. A participação entusiástica do público fez com que o horário se estendesse até o almoço.

Mas, à tarde houve a escolha da delegação composta por 5 organizações da sociedade civil para a Reunião com OPAS/OMS  que ocorrerá em julho do presente ano, com vários países da América Latina para discutir a Estratégia e o Plano de Ação sobre Etnia e Saúde. A RENAFRO foi uma das instituições indicadas, aceita unanimemente pela plateia presente. As demais foram: FONATRANS, CONAQ, e as lideranças do movimento de população de rua, e do movimento Hip-Hop.

Apesar da indicação do Luís Eduardo para que Maria Inês pudesse estar presente, o público presente não esteve de acordo com a participação de representantes que não estavam presentes na construção do seminário. Já quanto às instituições presentes escolhidas, foi dito que posteriormente seria enviado o nome de sua representação na reunião dada a importância da mesma. 

Não houve cerimônia para encerramento do seminário no final da tarde. Assim, concluo, agradecendo pela oportunidade de ter participado das atividades mencionadas, representando essa instituição tão admirada, e me coloco à disposição para novas participações.

*Egbon do Axé Omolu e Oxum – São João de Meriti/Rio de Janeiro. Representante da RENAFRO – Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde no seminário.

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Publicado por Fórum de Saúde da População Negra

Formado por lideranças de movimentos sociais, pesquisadores, intelectuais e profissionais de saúde e outras áreas de atuação, é missão desse Fórum, a promoção da saúde enquanto direito constitucional, e um dos direitos básicos e fundamentais previsto na Declaração Universal dos Direitos Humanos, com especial atenção à necessidade de resposta ao racismo e seu impacto na saúde.

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