
De Ana Paula Ferreira*
O esforço de poucos para trabalhar por muitos precisa ser visto. Mas você sabia que o seu direito, o direito de milhões de brasileiros, são conquistas de pequenos grupos que se dedicam à essa causa?
Profissionais da saúde e movimentos sociais organizados, coletivos, OSC, se debruçam a lutar por justiça social, e na sua maioria, são trabalhadores da saúde, comunidade, mães, pais, filhos e profissionais da educação, ciências sociais, ciências biológicas e humanas, que se juntam para promover o direito à saúde, à educação, ao desenvolvimento humano, à dignidade e a cidadania, buscando equidade no tratamento e qualidade das ações em diferentes instâncias. E nesse caminho acontecem plenárias, seminários, fóruns, conferências, colóquios e mobilização municipal, estadual e regional para cobrar a efetivação de nossos direitos que se transformam em leis nacionais.
Então… e mais uma vez, no dia 18 de junho, nos mobilizamos para acontecer a IV Plenária Virtual da Saúde da População Negra, sobre a organização do Fórum Paulista de Saúde da População Negra.
Com os mais jovens, a roda iniciou e girou com os mais experientes, e não estou falando exatamente de idade cronológica, mas de dedicação para ver o bem do seu próximo. Juntos(as), eles nortearam as estratégias, trouxeram ricos conhecimentos e narrativas históricas, experiências, lutas, avanços, e pontuaram retrocessos bem recentes.
Você sabe, o que é uma pessoa preta, com uma formação impecável, com mais de meio século de atuação na área da saúde, dedicados em prol de sua população, não ter um computador e uma mesa, em um equipamento público para poder enviar um documento? Dói o coração ouvir, não é?
Pensar que sua história estará sendo contada em um livro, lançado no último dia 19 de junho – Dia Mundial da Conscientização da Doença Falciforme – e a Globo não vai mostrar não te diz nada? Que trabalha com quilombos, coordena a Rede de Doença Falciforme no estado de Pernambuco, briga por uma população sofrida, por todo esse tempo, e você não conhece, nunca ouviu falar dela, não te diz nada a mais?
Ela é linda sim, e agradecemos pelo seu trabalho e compromisso com o nosso povo. E manifestamos nossos parabéns pelo lançamento do livro. Celebremos; tens todo o nosso respeito!
E em seu nome, saudamos todas as pessoas que se dedicam a trabalhar com políticas públicas robustas e necessárias para a população negra, que estiveram presentes na Plenária, e fazem parte da história do processo de letramento político e consciente desse país, como pesquisadores, estudiosos, ativistas, estudantes, militantes, aspirantes, inspiradores, professores antirracistas, profissionais inquietos, sanitaristas, quilombolas, fisioterapeutas, médicos, enfermeiras, gestores e enfermeiros, entre outras frentes, mobilizando outros pretos e pretas, e pessoas que se movem conosco, e não desistiram. E nos inspiram para que pudéssemos chegar e estar aqui, em 2024, dialogando sobre os 15 anos da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra.
Sim, sabemos e chegamos a conclusão que há muito o que fazer, como garantir a imagem de pessoas negras e sua representatividade diante do modelo de corpo humano apresentado na área biológica, como corpo importante de ser estudado e respeitado em sua diversidade; ampliar a implementação do “quesito cor”; aumentar a eficiência das ações afirmativas; avançar no tratamento da saúde da mulher negra; combater a violência obstétrica; fortalecer os Comitês Técnicos de Saúde da População Negra; garantir o direito da população negra à saúde; aumentar a rede de apoio na condução e encaminhamento de políticas públicas, garantindo a participação da sociedade civil e suas instituições históricas em espaços políticos de decisão; manter e ampliar o direito à proposição de pautas coletivas; realizar uma comunicação eficaz e não violenta, entre municípios, estados e União; etc.
É preciso entender que a expertise, precisa estar a favor da coletividade, por uma saúde integral, inclusiva, de bem estar, que considera a doença falciforme e suas consequências, além da extensão de outras doenças recorrentes nos problemas de saúde para a nossa população negra. É preciso definir temas prioritários ainda não incorporados ao SUS, além de viabilizar caminhos para conversas estreitas com o governo; que temos o direito de envelhecer com saúde, aprofundar a conversa sobre a saúde das mulheres, a saúde de pessoas em situação de rua, pessoas LGBT’s, e combater o racismo, considerado um fator que dificulta a articulação política nos territórios.
Passamos por processos de estagnação ou desmonte nos municípios. Gestores do poder público em todos os poderes ainda precisam ser sensibilizados para respeitar a formação técnica, experiência e bagagem dos mais experientes, e os mais jovens são importantes na luta, mas precisam aprender muito com quem já há muito tempo vem pavimentando esse caminho… esse é o movimento Sankofa na prática!
Acrescento que tenhamos em mente, que cuidar da população negra, é cuidar da maioria da população brasileira. E se quisermos nos desenvolver economicamente, nos tornando potência mundial, precisamos nos levantar em defesa da população negra no Brasil. Somos a população que segundo a maioria dos dados, sofrem violências de toda ordem.
Precisamos unificar nossas ações, organizar um fórum nacional articulando-se com outros existentes, (pois estamos presentes em todas as pautas), com a maioria das instituições e movimentos negros do pais tendo como base para luta as propostas de fortalecimento, respostas às reivindicações e diretrizes politicas e técnicas da PNSIPN, além de instrumentalizar o operacional, mapear e democratizar os dados entre entidades e movimentos, pois assim teremos uma rede de atuação eficaz e eficiente que permitirá que o conhecimento chegue a muitos outros lugares.
Essa foi a resenha do que foi a Plenária. Se interessou? Participe da próxima Plenária Virtual da Saúde da População Negra, que já tem data marcada: 23 de julho de 2024, às 19h30 e será online.
Preencha o formulário de inscrição no site e participe do grupo de filiados ao Fórum no whats app. Vamos pensar juntos?
*Da Casa da Mulher Paulista – Barretos. Contato: @anapaulafebatis
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