
Do Fórum*
Com a proximidade das eleições municipais, a VII Plenária Virtual de Saúde da População Negra, realizada pelo Fórum Paulista, nesta última terça-feira, 30 de setembro, dialogou sobre a importância do Território, a territorialidade e a saúde da população negra nos planos de governo.
Tal como nas atividades anteriores, a Plenária reuniu lideranças de diferentes estados brasileiros que atuam na área, além de pesquisadoes e profissionais de saúde. Para os participantes, é preciso ação efetiva para além do discurso, e as estratégias devem privilegiar a parceria e as alianças possíveis, entre a sociedade civil, a academia, os gestores e profissionais de saúde, considerando que saúde é mais do que a ausência de doença. É preciso, segundo as lideranças, maior articulação, incidência política, mobilização constante e colaboração efetiva, para que a gestão pública reaja ao racismo, que determina ao longo dos séculos, o acesso à bens, recursos e serviços. Nesse sentido, os planos de governo apresentados em meio ao processo eleitoral não atendem às necessidades dessa população, e apresentam entraves ideológicos para o avanço real da saúde pública no Brasil todo, avaliam.
Essa análise apresentada ao evento, é fruto da avaliação dos e das ativistas que leram os planos e demais documentos, e, em diferentes casos foram dialogar com os partidos políticos e seus candidatos, mas na maioria dos casos relatados não foram acolhidos, mesmo no campo considerado mais progressista. Os desafios inumerados pelos participantes incluem a articulação com o Ministério da Saúde, por exemplo, no campo da Atenção Primária. Rosa Anacleto, de UNEGRO, que compõe o Conselho Nacional de Saúde, participou da atividade relatando os desafios que enfreta no campo do controle social da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, implantada pelo Minsitério da Saúde em 2009, sem sucesso até dado momento. Para contribuir com esse processo, “são cinco, as organizações candidatas a compor o Conselho Nacional de Saúde no próximo pleito” segundo ela, que listou o nome das candidatas.
Maicon Nunes, do Movimento Negro Unificado – MNU compreende que “basta de diagnóstico, pois é preciso ações concretas, que alcancem de fato à população”. Para a plenária, não se trata apenas de enfrentar o racismo na saúde, mas sim, de garantir o funcionamento de todo o sistema, para além da universalidade, considerando as determinações sociais presentes na organização do país e suas instituições, o que tem se demonstrado inviável, dada ausência de resposta ao racismo na sociedade e na condução das instituições brasileiras.
A plenária ocorreu em meio aos preparativos para o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, que acontece no país desde de 2006, com a finalidade de criar possibilidades de articulação para o avanço do SUS, com participação popular e controle social, reagindo assim, ao racismo e o impacto que causa na saúde da população negra. A data contará com os esforços de organizações da sociedade civil em diferentes estados brasileiros, entre outubro e novembro de 2024.
Assista a atividade disponível aqui na página oficial do Fórum, no Youtube.