Ana Paula Febatis

Segundo a quarta edição da pesquisa “Mulheres no trabalho 2024” (“Women @ Work 2024”), realizada pela empresa global de consultoria Deloitte. Foram entrevistadas cinco mil mulheres em dez países – entre eles, o Brasil – no período de outubro de 2023 a janeiro de 2024, que aponta que as mulheres estão mais estressadas, e com vergonha de admitir distúrbios emocionais ou mentais, realizam longas jornadas de trabalho, e isso tem impactado fortemente a sua qualidade de vida.
Trabalham sentindo dores ou desconforto (27% das mulheres), e mais de 40% das mulheres que sofrem durante o período menstrual não usufruem de qualquer folga ou licença e entre as mulheres que enfrentam problemas ligados à menopausa, 39% também não alteram sua rotina profissional.
Quase 60% das mulheres que se tornaram cuidadoras familiares, seja de pais ou sogros, pós-pandemia, também se encontram estressadas. Quase 1.000 mulheres, que foram entrevistadas, são as principais provedoras da casa, e, nesse grupo, quase 50% acumulam a atividade profissional com as tarefas domésticas, e apenas 19% afirmaram que os parceiros auxiliam o dia a dia.
Embora a falta de equilíbrio entre vida profissional e pessoal seja uma das questões mais recorrentes para todas, 95% acreditam que não devem abordar o assunto, pois poderia prejudicar suas chances de conseguir uma promoção.
Por esses motivos, as pesquisas sobre trabalho, utilizam o termo para mulheres, “admitidas”, pois tem que passar por todo o processo de admissão nas empresas, ao contrário dos homens que são referidos como “contratados”, e não tem que se preocupar em superar o processo de admissão. Com isso, nitidamente observamos a desigualdade entre mulheres e homens, no que se refere no trabalho formal ou recolocação no mercado de trabalho. E as mulheres têm tido mais afastamentos do trabalho por problemas de saúde mental do que os homens.
Esse é o mês do Janeiro Branco, mês dedicado a promover uma Campanha em Prol da Conscientização sobre a Saúde Mental e Emocional das pessoas, e o racismo no ambiente de trabalho, pode agravar o esgotam mental em mulheres negras, podendo levar ao afastamento do trabalho, isolamento social, estresse, vulnerabilidade financeira, violência doméstica, entre outras violências.
Diante desses fatos, se faz necessário, promover encontros, rodas de conversa, redes de apoio no trabalho, projetos de prevenção de saúde e atenção nos serviços de Assistência Social, pois 45% do público atendido são mulheres negras, segundo a Secretaria Nacional de Política de Cuidados e Família, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Pois a mulher bem cuidada, usufruindo de bem-estar e boa saúde mental, impacta diretamente em sua família e todo o seu entorno, seja no trabalho, comunidade e convivência social.
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*Pós-graduada em Sociologia da Educação e Cultura, natural de Barretos e integrante do GT de Educação e Formação Política do Fórum Paulista de Saúde da População Negra.