A busca por saúde no território e na realidade das pessoas deve marcar o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.

Foto por RF._.studio em Pexels.com

Diferentes organizações com atuação contra o racismo em vários estados preparam-se para o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra.

Sabidamente, a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra no território, deve buscar por salvar vidas, e garantir o sagrado direito à saúde de cada brasileiro, cada brasileira, considerando as disparidades étnico-raciais presentes no campo da prevenção de doenças e no processo de promoção da saúde. É preciso ampliar o debate sobre a implementação da PNSIPN a partir da Portaria 992 de maio de 2009, a partir das competências de estados e municípios em todo o país. 

Para tal, é preciso mobilização, participação popular e controle social das políticas públicas de saúde, com especial atenção para o enfrentamento ao racismo estrutural, considerando que a saúde deve ser compreendida a partir da perspectiva da interseccionalidade, com vistas sempre a integralidade do cuidado, a universalidade do acesso e a promoção da equidade, em todo o ciclo de vida, envolvendo todos os pontos de atenção à saúde. 

Confira abaixo, a programação de atividades que acontecerão em diferentes estados e municípios.

Amazônia

Manaus, 27 de outubro de 2023, 08h  

Roda de Conversa – Educação em Saúde (presencial): Racismo como Determinante Social das Condições em Saúde – Combate às Desigualdades no SUS.

Convidados (as): Denise Santos, SEMSA/ESAP; Deize Bentes, SEMSA/ESAP; Hermon Nogueira, SEMSA/ESAP; João Lucas Ramos, SEMSA/ESAP; Juliana Cruz, SEMSA/ESAP; Sayara Zaguri, SEMSA/ESAP.

Onde: USF Gebes de Medeiros 

Organização: Equipe Multiprofissioal da USF Gebes de Medeiros              

Mais informações: João Lucas da Silva Ramos, e-mail: psijlucasramos@gmail.com, telefone: 92 992393038        

Bahia

Salvador, 27 de outubro de 2023, 14h   

Roda de Conversa: Mulheres com Doença Falciforme (atividade virtual)            

Organização: GEM Centro de Estudos e Pesquisas sobre Mulheres, Gênero, Saúde e Enfermagem – EEUFBA.  Mais informações: Silvia Lúcia Ferreira, telefone: 71 999894677 – E-mail: silvialf100@gmail.com

Salvador, 26 de outubro de 2023, 14h

Web palestra: Quesito raça-cor nos sistemas de informação da saúde

Link: http://telessaude.saude.ba.gov.br/assistir-web-palestra/  

Organização: SESAB – Secretaria de Saúde do Estado da Bahia    

Mais informações: Thaise dos Santos Viana, e-mail: dgc.saudepnegra@saude.ba.gov.br e telefone: 71 99352-6605         

Convidados: Ubiraci Matildes de Jesus (Sanitarista), SESAB – Diretoria de Gestão do Cuidado e Diretoria da Atenção Básica.

Feira de Santana, 27 de outubro de 2023, 09h. 

II Seminário de visibilidade da Doença Falciforme (atividade presencial)

Organização: Associação Feirense de Pessoas com Doença Falciforme – AFADFAL

Convidados: Altair Lira, Antônio Purificação e outros

Mais informações: Fabricio Cabral, telefone: 75 992591317

DF – Brasília

Brasília, 23 e 24 de outubro de 2023 – 09h/17h

Participação no 1 Seminário de Vigilância em Saúde da População Negra – presencial

Onde: Sede da Fiocruz Brasília/DF                           

Organização: Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas/CEDIPA Fiocruz    

Mais informações: Hilda da Silva Gomes, e-mail: hilda.gomes@fiocruz.br e telefone: 21 996312495

Brasília, 25 de outubro de 2023, 14h      

Oficina de Extensão: Percursos e Desafios da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra – PNSIPN (atividade presencial)

Organização: Observatório da Saúde da População Negra (Nesp/UnB)

Universidade de Brasília – Campus Darcy Ribeiro              

Mais informações:  Marjorie Chaves/Núcleo de Estudos de Saúde Pública (Nesp/UnB), whats app: (61) 98102 6433 – E-mail: obspopnegra@gmail.com ou marjorie.nc@gmail.com

São Paulo

Baixada Santista, 26 de outubro de 2023, 17h

Encontro Regional de Saúde da População Negra da Região Metropolitana da Baixada Santista (atividade híbrida)

A data do dia 27de outubro configura-se como Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra. Embora a  Política Nacional de Saúde Integral da População Negra tenha sido promulgada em 2009, ainda são inúmeros os desafios para sua efetiva implementação nos municípios e estados brasileiros. Deste modo, identificamos a necessidade de articular e ampliar o debate, a participação popular e o controle social das políticas públicas direcionadas à saúde da população negra na região metropolitana da Baixada Santista.

Presencial: Saguão Central da UNIFESP, Campus Silva Jardim – Rua Silva Jardim, 136, Vila Mathias. Santos/SP.

Transmissão Online: Canal Produção Preta

Organização: Fórum Paulista de Saúde da População Negra; OAB Santos – Comissão da Igualdade Racial; UNIFESP; Núcleo de Estudos Reflexo de Palmares; Conselho Municipal de Saúde de Santos; Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e Promoção da Igualdade Racial de Santos; Produção Preta; Associação de Povos de Terreiro Rainha do Mar de Guarujá e Região; Nzo Tumbansi Kwa Ndanda-Nlunda Ye Nkosi.

Faça sua inscrição aqui.

Diadema, 27 de outubro de 2023, 09h30

Roda de conversa – presencial: A importância da Saúde da Mulher Negra.

Convidados(as): Conselho Gestor, ACS e representante da USP

Onde: UBS Paineiras

Organização: UBS Paineiras

Mais informações: Adriana Ferre, e-mail: drikaferre80@gmail.com e whats app: 11 98348-7949

Capital, 27 de outubro de 2023, 13h

Audiência Pública: Direito à reparação e ações para atenção à saúde (atividade híbrida).          

Organização: CEVENB – Comissão da Verdade e Memória da Escravização Negra da OAB-SP        

Presencial: Sede da OABSP – Rua Maria Paula, 35.          

Mais informações: Lenny Blue de Oliveira, e-mail: blueoliveira@yahoo.com.br  

Capital, 27 de outubro de 2023, 20h

Aula aberta: Promoção da equidade em saúde – criação do Kilombrasa

Onde: on-line com transmissão online: https://www.even3.com.br/dia-nacional-de-mobilizacao-pro-saude-da-populacao-negra-404070/s://meet.google.com/jph-asyc-rbb

Convidada: Estefania Ventura, do Kilombrasa

Organização: LASPN-FASM: Liga Acadêmica de Saúde da População Negra da Faculdade de Santa Marcelina

Mais informações: Ana Paula da Silva Coutinho, e-mail: contato.anacoutinho20@gmail.com whats app: (21)97467-1782; ou LASPN-FASM, Liga Acadêmica de Saúde da População Negra da Faculdade de Santa Marcelina: @laspn.fasm

    

Araras, 27 de outubro de 2023, 19h30 

Live: Políticas públicas para mulheres com recorte às mulheres negras   

Organização: Conselho Estadual da Condição Feminina

Mais informações: Pérola Monteiro dos Santos Quintiliano, e-mail: perolamsq@gmail.com e telefone: 19 996470855    

  

Espírito Santo

Piúma, 27 de outubro de 2023, 14h

O impacto e vestígios do racismo na saúde pública: diálogo com as Secretarias de Saúde, de Assistência Social e de Educação, com os alunos da rede de ensino e os profissionais das unidades de saúde (atividade presencial).  

Organização: Instituto FEPNES – Instituto de fortalecimento e Empoderamento da População Negra, UNEGRO – ES.

Mais informações: Karla Regina Alves dos Santos Silva; e-mail: karla.cerimonialista@gmail.com  e telefone: 28 999177603             

Alagoas

Maceió, 26 de outubro de 2023, 9h          

Atividade na Sala de espera do Hospital Universitário: Projeto NEGRHU – Enfrentamento ao Racismo institucional (atividade híbrida)

Organização: Movimento Negro de Alagoas        

Presencial: Hospital Universitário

On-line: transmissão ao vivo no canal do Hospital Universitário Alberto Antunes – Cidade Universitária  

Mais informações:

Angela Maria Benedita Bahia de Brito, e-mail: meteorologia.b3@gmail.com e telefone: 82 99912-9171 ou Maria Helena, e-mail: marihelena53@gmail.com  

Maceió

10/11 a 15/11 de 2023, 14h

Panfletagem presencial – IV COPENE/Ufal (atividade presencial)

Vamos Subir a Serra: Mobilização Pró-Saúde da População Negra (atividade presencial)

Organização: Movimento Negro de Alagoas        

Mais informações: Angela Maria Benedita Bahia de Brito, e-mail: meteorologia.b3@gmail.com telefone: 82 99912-9171, ou Danilo Luiz Marques (Neabi/Ufal) e Valdice Gomes (Vamos Subir a Serra).

Rio de Janeiro

Nova Friburgo  

Roda de Conversa (atividade virtual): Vamos falar da nossa Saúde            

Organização: Centro Cultural Afro Brasileiro Ysun-Okê Mais informações:  Ilma Santos, e-mail: ysun-oke@bol.com.br e telefone: 22 999218682

Rio de Janeiro, 23 de outubro de 2023, 20h

Live: A Implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra           

Onde: https://youtube.com/live/VQrocnNtpHo?feature=share

Convidados(as): Louise Gisele Jaciane Silva Martins Milanezi Integrante do Comitê Coordenadora de Pesquisadora Técnico de Saúde da Políticas Públicas em População Negra da SMS – Rio de Janeiro; Gisele Martins – Assessoria Técnica de Saúde da População Negra/SMS POA; Jaciane Milanezi Pesquisadora Afro/CEBRAP e bolsista FAPESP

Organização: Monique Franca da Silva – SBMFC/Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade; e-mail: gtsaudepopnegramfc@gmail.com  e whats app: 21 980105111

Capital, 27 de outubro de 2023, 14h

Roda de conversa (atividade virtual): Os desafios da implementação da Política Municipal de Saúde da População Negra do Rio de Janeiro

Onde: https://www.youtube.com/@Criolamulheresnegras         

Organização: Criola

Mais informações: Mari Marçal (21) 993111610

Amapá

Macapá, 27 de outubro de 2023, 18h30       

Produção de dois vídeos com duas médicas (Uma médica de Cuba e uma acadêmica de medicina que veio de Benin) que falarão sobre as principais doenças que afetam à população negra os fatores. Também abordaremos a importância de atendimento especializado dos medicamos para pacientes negros no primeiro contato (atividade virtual): As principais doenças e causas que afetam à população negra.

A médica cubana: Bárbara e a acadêmica de medicina da UNIFAP Manuella ( de Benin)  Maria das Dores (Durica) e Yasmyn Bentes ‪+55 96 99136‑5797 (Falar com Durica)

Onde: Instagram do IMENA        

Mais informações: Yasmyn Bentes Nascimento – IMENA, e-mail: yasmynbentes7@gmail.com e whats app: 96 – 999156699       

Sergipe

Aracajú, 27 de outubro de 2023, 19h

Live: Instagram Mobilização Pró – Defesa da Saúde da População Negra               

Convidadas: Clarissa Marques e Tayna Gomes do Aqualtunrlab 

Mais informações: Clarissa Marques, e-mail: cmsfadv@gmail.com e whats app: (079) 99997-5809

A baixada santista mobiliza-se para o dia nacional de mobilização pró-saúde da população negra.

No dia 26 de outubro acontecerá o Encontro de Saúde da População Negra da Região Metropolitana da Baixada Santista. O evento acontecerá de forma híbrida, a partir da parceria entre o Fórum Paulista de Saúde da População Negra, OAB Santos – Comissão da Igualdade Racial, UNIFESP, Núcleo de Estudos Reflexo de Palmares, Conselho Municipal de Saúde de Santos, Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e Promoção da Igualdade Racial de Santos, Produção Preta, Associação de Povos de Terreiro Rainha do Mar de Guarujá e Região, Nzo Tumbansi Kwa Ndanda-Nlunda Ye Nkosi.

A atividade busca ampliar o debate, a participação popular e o controle social das políticas públicas direcionadas à saúde da população negra na região metropolitana de Ribeirão Preto. Segundo os organizadores “pretende-se fomentar a difusão de informações acerca da PNSIPN; compartilhar ações voltadas à saúde da população negra na região metropolitana de Ribeirão Preto; apresentar o Fórum Paulista de Saúde da População Negra com vistas à ampliação das articulações e de trabalho conjunto entre organizações da sociedade civil, pesquisadores, profissionais de saúde e gestores do SUS, além de estimular a organização política na região metropolitana de Baixada Santista. 

A Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra implantada pelo Ministério da Saúde (estabelecida pela portaria do Ministério da Saúde n.º 992/2009 e o Estatuto da Igualdade Racial em seus artigos 7.º e 8.º da Lei 12288/2010), requer a atuação conjunta entre sociedade civil, gestores e profissionais de saúde, no cenário em que estamos. Contudo, o racismo persiste e é uma importante determinação social, que permeia as relações interpessoais, os processos, decisões e investimentos em saúde, capaz de interromper as possibilidades de avanço na produção e promoção de saúde e a prevenção de agravos. 

Espera-se pelo diálogo com diferentes atores, redes, organizações políticas, e demais interessados no tema, para juntos articularmos ações para defesa de um sistema público de saúde, forte, universal, com equidade, integralidade, descentralização e gestão participativa na conjuntura em que estamos. 

O evento acontecerá presencialmente no Saguão Central da UNIFESP – Campus Silva Jardim, na rua Silva Jardim, 136, Vila Mathias, em Santos/SP. E contará com transmissão on-line no canal da Produção Preta.

As inscrições podem ser feitas em https://forms.gle/KLLcFDYs4ZZZM3o96 

Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra – 2023

Dia 27 de outubro é o “Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra”.

A data busca mobilizar os profissionais de saúde para demandas específicas da população negra, buscando promover a equidade em saúde. Entendemos que é preciso ampliar o debate relacionado ao conjunto de ações, políticas, projetos e programas em defesa do SUS, com especial atenção para a promoção da equidade enquanto resposta ao racismo e seu impacto na saúde da população negra brasileira.

Propomos uma intensa mobilização em todo o território nacional, em meio ao atual cenário político, com a realização de diferentes ações sincronizadas e diversificadas, sob condução de diferentes organizações, redes e movimentos para o diálogo entre a sociedade civil, intelectuais, gestores e profissionais de saúde, diante da necessária promoção da equidade.

Queremos dialogar com as redes, núcleos, coletivos e demais organizações para nos articularmos entorno de uma agenda comum, logo, todas as oportunidades para a defesa de um sistema público de saúde, forte, universal, com equidade, integralidade e gestão participativa na conjuntura em que estamos, são mais que bem-vindas.

Espera-se por seminários, webinários, painéis, fóruns, rodas, debates, lives, panfletagem etc.; e para divulgar cada uma das atividades, solicitamos que você informe qual será a ação que sua organização realizará, preenchendo o formulário disponível aqui.

Convite

Prezados(as) amigos(as),

A Política Nacional de Atenção à Saúde da População Negra implantada pelo Ministério da Saúde (estabelecida pela portaria do Ministério da Saúde n.º 992/2009 e o Estatuto da Igualdade Racial em seus artigos 7.º e 8.º da Lei 12288/2010), requer a atuação conjunta entre sociedade civil, gestores e profissionais de saúde, no cenário em que estamos. Contudo, o racismo persiste e é uma importante determinação social, que permeia as relações interpessoais, os processos, decisões e investimentos em saúde, capaz de interromper as possibilidades de avanço na produção e promoção de saúde e a prevenção de agravos. 

Compreendemos que é preciso ampliar o debate, questionando qual é a saúde que queremos para o Brasil, mobilizar a sociedade para o diálogo sobre demandas específicas da população negra, e a necessária promoção da equidade em saúde, de forma atenta ao conjunto de ações, políticas, projetos e programas em defesa do SUS, com especial atenção para a promoção da equidade enquanto resposta ao racismo e seu impacto na saúde da população brasileira. Para tanto é preciso um pensamento crítico acerca do cenário em que estamos inseridos, o que inclui a revisão dos sistemas de saúde, a atualização da máquina, e a produção de saúde a partir de outras perspectivas.

Acreditamos que o alinhamento a partir do grupo, da identidade, do pertencimento, a partir do território, da territorialidade, do lugar em que atuamos, de forma conectada à atual conjuntura, marcada por fenômenos globais ou locais, à luz das relações étnico-raciais, às desigualdades entre homens e mulheres, a intolerância religiosa, a discriminação, o preconceito, as questões econômicas e outras a elas associadas devem nos nortear. É preciso agir localmente, sem perder a conexão com a macro-política, razão pela qual, a realização do Encontro de Saúde da População Negra da Região Metropolitana de Ribeirão Preto, a partir da parceria entre a Liga de Saúde da População Negra da EERP/USP e o Fórum Paulista de Saúde da População Negra, busca ampliar o debate, a participação popular e o controle social das políticas públicas direcionadas à saúde da população negra na região metropolitana de Ribeirão Preto. 

Pretende-se fomentar a difusão de informações acerca da PNSIPN; compartilhar ações voltadas à saúde da população negra na região metropolitana de Ribeirão Preto; apresentar o Fórum Paulista de Saúde da População Negra com vistas à ampliação das articulações e de trabalho conjunto entre organizações da sociedade civil, pesquisadores, profissionais de saúde e gestores do SUS, além de estimular a organização política na região metropolitana de Ribeirão Preto. Espera-se pelo diálogo com diferentes atores, redes, organizações políticas, e demais interessados no tema, para juntos articularmos ações para defesa de um sistema público de saúde, forte, universal, com equidade, integralidade, descentralização e gestão participativa na conjuntura em que estamos.

Queremos assim, convidá-lo(a) a participar desse encontro tão importante, que acontecerá de forma remota, no dia 07 de outubro, às 16h, com link a ser enviado por e-mail, à cada um(a) dos(as) inscritos(as).

Faça sua inscrição em: https://bit.ly/3tdrfyw 

Sejam bem-vindos(as)!

Equidade e Justiça Social: a luta continua

By Jurema Werneck*

“Logo de manhã, bom dia” – assim, trago a nossa memória o amigo e companheiro de luta Arnaldo Marcolino, ex-conselheiro nacional de saúde, que nos deixou recentemente, na madrugada do dia 15.

Em sua mensagem, compartilhada no dia 14 de novembro, ele enviou uma música (Amigo é pra essas coisas: Salve! Como é que vai? Amigo, há quanto tempo…), nos propondo a iniciar aquela semana lembrando a velha guarda, como ele disse, e repetindo o trecho da música que diz: “Um apreço não tem preço…”. Ele encerrou a mensagem com um imperativo ético que é, ao mesmo tempo, uma celebração de coletividade: o termo/conceito Ubuntu. Minha homenagem, minha saudade, minha celebração dessa trajetória de compromisso e generosidade: Arnaldo Marcolino presente!

E é preciso reverenciar também Lélia González, que dá nome a esta sala e norte para o nosso ativismo. A voz crítica ao mesmo tempo solidária e generosa nos trouxe até aqui: Lélia Gonzalez presente!

Vou começar pelo avesso: para falar sobre equidade e justiça, vou começar falando de seu oposto – trago o conceito de apartheid. “Famoso” pela experiência trágica da África do Sul, apartheid foi um regime de segregação racial radical naquele país. Mas é preciso lembrar: o termo diz respeito a uma clivagem, uma separação entre humanos (ou entre alguns que se consideravam mais humanos e outros que eram vistos como subhumanos): negros (a maioria) separados de brancos (a minoria) por regimes de violência extrema amparados em leis e em noções distorcidas de direito. No regime da África do Sul, a minoria branca controlava tudo: o Estado e suas instituições, governos e parlamentos, as ferramentas de produção de riqueza e seus lucros. A minoria branca controlava tudo sob a força das armas (a violência, a fome, etc). As lutas da maioria derrubaram o regime depois de 46 anos (1948-1994) e um número incontável de corpos.

Veio a transição e, nela, a liderança da maioria foi reconhecida. Quem acompanha a trajetória da África do Sul como eu, que já estive lá algumas vezes, sabe que falta muito para o estabelecimento da sociedade não racial a que Nelson Mandela se referia. Mas devemos reconhecer que, nesta longa trajetória que ainda resta, a maioria negra tem ao menos uma chance.

Corta para o Brasil de 2022: milhares de jovens negros assassinados, milhões experimentando a fome, um país onde agentes do estado massacram, chacinam, matam, encarceram em volume inaceitável; onde milhares dos nossos morreram desassistidos ou mal assistidos frente à pandemia de Covid-19 nestes tempos que insistem em reeditar a desesperança e o medo.


Neste ano, a maioria ergueu novamente a voz: indígenas, negros, mulheres, pessoas LGBTQIA+, moradoras e moradores das regiões norte e nordeste e das favelas e periferias do sul e do sudeste, do campo, dos quilombos, das florestas, das águas e das cidades, nós enviamos uma mensagem potente de mudança, de repúdio aos retrocessos, de afirmação de nossa humanidade e de reivindicação de um outro país e um outro mundo que precisam existir para que nós possamos existir, para que possamos experimentar de fato a equidade e a justiça social que queremos.

Em resumo: nossa mensagem repete um bordão lançado incansavelmente: nada sobre nós sem nós – esse nós amplo, de indígenas, negros, mulheres, pessoas LGBTQIA+, moradoras e moradores das regiões norte e nordeste e das favelas e periferias do sul e do sudeste, do campo, dos quilombos, das florestas, das águas e das cidades e não apenas homens brancos à esquerda (ou pior, à direita). Para dar passos na direção da equidade e da justiça, algumas questões são inegociáveis:

a. Participação e protagonismo: ocupação de posições de liderança e capacidade de indução; existência de mecanismos e políticas públicas capazes de enfrentar de forma profunda e consistente os desafios que o racismo e as iniquidades estruturais colocam – o que inclui derrubada da EC 95 e daquilo que Flávia Oliveira chamou de cloroquina fiscal, o tal teto de gastos (que quer dizer desinvestimento público na equidade).

b. Inovação: por que as experiências anteriores não foram capazes de efetivamente romper com o racismo sistêmico e com as iniquidades estruturais. Lembrando que, afinal, estamos no século XXI, onde velhos e novos problemas confluem e demandam respostas atuais e inovadoras Flavia Oliveira, a jornalista, já cantou a pedra em um tuite, destacando a estrutura careta (que quer dizer conservadora, retrógrada), pra dizer o mínimo, do gabinete de transição;

c. Ruptura daquilo que Cida Bento denominou de pacto narcísico da branquitude, que implica inclusive que aqueles e aquelas que são privilegiados e privilegiadas pelo sistema racista cisheteropatriarcal, que não são indígenas, negros, mulheres, pessoas LGBTQIA+, moradoras e moradores das regiões norte e nordeste e das favelas e periferias do sul e do sudeste, do campo, dos quilombos, das florestas, das águas e das cidades, explicitem em alto e bom som e em atitudes e ações a sua discordância em relação a este acerto que está sendo montado, onde homens brancos cisheteros do sudeste principalmente se posicionam para dar a última palavra em uma vitória conquistada principalmente por nós.

d. Análises e recomendações detalhadas circularão neste Congresso e eu quero mencionar dois: o Manifesto do I Encontro de Coletivos Negros: avanços e desafios na luta antirracista na saúde coletiva e a Carta do Grupo de Trabalho Racismo e Saúde. Leiam, divulguem, aproveitem!

Por fim: há pessoas que têm feito referência ao meu modo contundente de falar no espaço público nas últimas semanas. Comento aqui com as palavras de Audre Lorde: Minha resposta ao racismo é raiva. Eu vivi com raiva, a ignorando, me alimentado dela, aprendendo a usá-la antes de ela destruir minhas visões, durante a maior parte da minha vida. Uma vez respondi em silêncio, com medo do peso. Meu medo da raiva não me ensinou nada. Seu medo da raiva não irá te ensinar nada, também.

A raiva é o fogo que ilumina estas reflexões e a certeza de que nós não vamos transigir e negociar a vida e a saúde dos nossos. Somos a maioria!

É preciso enviar uma mensagem forte para aquelas e aqueles que, crescendo no século XXI, exigem que abracemos a radicalidade desta aposta num futuro sem encarceramento em massa, sem assassinatos de jovens negros e de mulheres trans, sem feminicídios, com justiça social e climática, sem armas e pleno de direitos humanos. E termos um governo que espelhe essa maioria, que seja verdadeiramente da e para a maioria, é parte importante das lutas que nos trouxeram até aqui. Esse é o caminho para equidade e justiça social que o Brasil precisa. Não tenham dúvidas: a luta (a nossa luta) continua!

*Jurema Werneck é Diretora da Anistia Internacional.

**Nota: Apresentação ao Grande Debate – 13o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva/Abrasco, 23/11/2022.

*** Originalmente publicado por Aliança Pró-Saúde da População Negra, em 24 de novembro de 2022.